Uma mulher no topo do mundo

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A catalã Núria Picas foi a mulher que mais venceu ultramaratonas internacionais de corrida de montanha em 2012, finalizando a temporada de competições com uma vitória na Everest Trail, prova de seis dias no Himalaia. Confira abaixo a entrevista com a campeã da Ultra SkyMarathon Series, principal circuito mundial de ultramaratonas, e descubra por que você ainda vai ouvir falar muito dela

Por Maria Clara Vergueiro 

FELIZ: Nas duas fotos, Núria comemora a vitória na Everest Trail deste ano

GO OUTSIDE:Como foi seu início nas corridas de montanha?

NÚRIA PICAS: Comecei no ano de 2010, quando corri algumas boas provas e a seleção catalã me notou. Desde então não parei mais de correr e fui evoluindo até conseguir realizar o sonho da conquista da Ultra SkyMarathon Series.

Quais são suas distâncias e tipos de competições preferidos?

Gosto de maratonas e também de ultramaratonas de 85 quilômetros. Ainda não me afirmei completamente nas distâncias maiores, mas gostaria muito de experimentar as provas de 100 milhas (o equivalente a 160 quilômetros). Quanto mais técnicas e mais alpinas, melhor para mim.

Você fez alguma mudança expressiva nos seus treinamentos para que chegasse aos bons resultados deste ano?

A diferença foi que em 2011 nasceram meu filhos, dois gêmeos encantadores, que não me deixavam dormir à noite, e meu rendimento caiu gradativamente. Agora que já têm quase 2 anos e que vão para a escola, passo melhor as noites e posso treinar todos os dias, seguindo a planilha do meu treinador, Pau Bartoló.

 

Que características você acredita que fazem um bom corredor de montanha?

Esforço, constância, humildade… Não ter medo nas descidas técnicas e ter muita motivação para ser constante nos treinos, dia após dia.

 

Quais são suas metas para 2013? Você está focada em alguma competição específica?

No ano que vem eu quero muito correr a Ultra-Trail du Mont-Blanc e seguir disputando a Ultra SkyMarathon Series. Também gostaria de correr novamente a Transvulcania, a Cavalls del Vent e a Zegama, que são provas que eu levo no coração. Outro desejo é o de correr alguma prova nos Estados Unidos, algo que nunca fiz.

 

Quais são os lugares onde você mais gosta de treinar e as provas mais lindas que já participou?

Eu gosto muito de treinar em casa, a Catalunha é um lugar maravilhoso! E a prova que eu mais gostei de fazer, e que eu acho mais linda é, sem dúvida, a Cavalls del Vent, em casa também, a mais espetacular de todas para mim. A Itália é um lugar onde eu também curto competir, especialmente a Trofeo Kima, muito técnica e alpina como poucas, uma prova de montanha de verdade.

Qual é, até o momento, a conquista de que você mais se orgulha?

A vitória mais importante da minha carreira é a Cavalls del Vent, a prova que me fez renascer em 2011, uma prova feita em casa, onde vivo e treino. E ganhar a Ultra SkyMarathon Series foi o que de mais importante aconteceu para mim como atleta de montanha. Mas a vitória verdadeira é desfrutar o dia a dia da montanha e dos treinos, as viagens e os amigos que vou fazendo pelo mundo todo graças a este esporte maravilhoso.

O que você acredita ser seu diferencial como atleta?

Faz diferença o fato de ter vindo do mundo do alpinismo e da escalada, de me sentir muito à vontade em terrenos técnicos e difíceis. Sou uma corredora que gosta muito de descer. Quanto mais longo percurso, melhor. Adoro longas distâncias. Também tenho a vantagem de me sentir bem em climas adversos, com frio, chuva, não tenho incômodo com isso porque gosto das situações extremas e duras.

Hoje você se dedica apenas ao esporte ou exerce alguma outra atividade paralela?

Não vivo apenas do esporte. Sou bombeira de profissão e estou muito feliz com o meu trabalho. Tenho horários flexíveis, o que me permite treinar diariamente e ter tempo para descansar.

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